Eu tenho orgulho dos meus preconceitos. Sim, orgulho. E digo isto com a maior tranqüilidade — sereno, mesmo —, sem precisar bater no peito ou fazer cara feia. Pra falar a verdade, creio que quase todo mundo tem orgulho dos próprios preconceitos. Mas o mais curioso é que quase ninguém se sente confortável em dizer que é preconceituoso. Muito possivelmente as pessoas acham que isto é vaidade, orgulho besta, arrogância ou coisas do gênero. Bobagem. Acho que todos deveriam ter a capacidade de, sem maiores problemas, expor seus preconceitos. Preconceitos foram feitos para sair de nossas mentes e serem expostos de alguma forma: só assim, aliás, com esta espécie de “exposição pública”, é que poderemos submeter nossos preconceitos a um debate racional e detectar se eles não passam, na verdade, de um grande equívoco nosso. Por isso que preconceito é bom; você de vez em quando erra por causa dele e isto faz de você um ser humano em constante evolução. Mas aqui vem outro grande tema: discriminação. Ter preconceitos é uma coisa; discriminar é outra. Preconceitos são juízos; discriminação, atitude. Ter preconceitos é ter algo na sua cachola sobre o qual você não necessariamente já investigou a fundo; discriminar algo é conduta, é ação que você toma diante de algo que está ocorrendo na sua frente, diante de seus olhos. Preconceito é opção; discriminação é escolha. Ter preconceitos é legítimo; discriminar algo ou alguém pode ser tolo ou até mesmo legítimo (se a razão pela qual você discrimina também o for). Num post futuro, veremos mais sobre discriminação.

2 comentários sobre “Orgulho e preconceito

  1. Preconceito, friamente falando, é apenas uma conceituação antecipada. Experiências passadas nos levam a associar certas situações, lugares ou pessoas com resultados positivos ou negativos. Ao agir de forma preconceituosa, nós apenas fazemos um juízo antecipado, um julgamento prévio a respeito de algo com que não tivemos contato. E isso é bom. Eu associo lugares escuros a assaltos. Se eu vejo um beco ermo, me afasto com medo de ser roubado. Isso é um preconceito porque talvez (e até provavelmente) não tinha ladrão ali, mas seria estupidez entrar no beco para “conceituar” se havia ou não de fato um bandido me esperando. O preconceito é uma ferramenta evolutiva essencial à sobrevivência. Nos afastamos preconceituosamente de cachorros, matagais e certos lugares porque os associamos a experiências passadas desagradáveis. Há dois meses fui passar um fds no Guarujá, apesar da reprovação de vários amigos, que me alertaram sobre a violência do local. Já no Guarujá, quando comentei desses alertas, ouvi diversas reprovações ao preconceito que a cidade sofria por conta de alguns eventos isolados. Hoje, sem meu blackberry, privado da minha adorada carteira Mont Blanc, do meu livro de Chesterton e R$ 250,00 mais pobre, me arrependo de não ter sido um pouco mais preconceituoso. Numa máxima, o preconceito evita que a pessoa se exponha a riscos desnecessários. É claro que certos preconceitos são lesivos à produtividade, como o preconceito racial. Mas a repulsa (justificável) por certos preconceitos leva a sociedade a ter um preconceito geral sobre todos os preconceitos, com resultados complicados que vão desde leis municipais esdrúxulas (como a que proíbe os condomínios de criarem acessos separados para seus funcionários) até essa política segregacionista que hoje chamamos de quotas raciais.

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