Pra quem não sabe, Douglass North é um economista altamente badalado no meio acadêmico. Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1993,  o Prof. North tem seus estudos bastantes citados, bem mencionados e, de vez em quando, estudados com o devido cuidado. O Prof. Douglass North é um economista clássico e não um destes sofisticados economistas matemáticos cujos trabalhos vêm recheados de cálculos econométricos e dados estatísticos (que são válidos, sim, senhor). Ao contrário, seus textos são livres de menções matemáticas e têm um viés nitidamente histórico. Desconsideradas as diferentes receitas de política econômica, pode-se dizer que a abordagem histórico-econômica do Prof. Douglass North é bastante parecida com a técnica de investigação do saudoso Prof. Celso Furtado. É essencialmente sobre bases históricas que ele aponta algumas determinantes do desempenho econômico das sociedades e alguns pilares essenciais para o desenvolvimento econômico por longo período. Em síntese, ele ressalta a importância das relações de produção e das regras por meio das quais os indivíduos interagem socialmente. Ele chamou tais regras de “instituições”: o papel delas é basicamente eliminar as incertezas e desconfianças que marcam as relações sociais e diminuir os esforços, dispêndios e gastos existentes nas trocas econômicas (os conhecidos “custos de transação”), incentivando os agentes sociais (indivíduos e organizações) a efetivá-las. É certo que o “jogo” é um pouco mais complexo: há uma interação entre matrizes institucionais, agentes econômicos, jogo político, produção de novas matrizes institucionais. Apesar desta aparente circularidade, há um objetivo básico nestas relações sócio-econômicas marcadas pelas “regras do jogo”: alcançar uma matriz institucional que seja capaz de servir de incentivo para os agentes sociais investirem numa atividade individual que gere retornos sociais superiores aos custos sociais. Alcançado este cenário, tem-se uma matriz institucional eficiente, capaz de gerar desenvolvimento econômico por longo prazo (embora esta noção de eficiência institucional tenha sido relativizada no livro Structure and Change in Economic History, de 1981, quando ele estudou as regras ineficientes e a tendência à perpetuação destas).  Mas se você quiser e tiver tempo livre, basta sentar e estudar um pouco os livros e artigos do Prof. North para aprofundar o tema. Para espanto dos que estão achando liberal demais a teoria do Prof. Douglass North, o Estado assume um papel crucial aqui: leiam os textos dele e vocês entenderão o porquê (dicas: Estado, enforcement, proteção dos direitos subjetivos, estabilização das regras do jogo, manutenção do status quo, jogo político). Talvez por isso alguns achem a teoria do Prof. North um marxismo camuflado (aqui). Curiosamente, aliás, ela é bem vista tanto por economistas e juristas de vertente mais liberal, como por estes mesmos profissionais de vertente mais intervencionista. É bem curiosa esta aceitação ampla por correntes tão divergentes. Talvez não haja tanta divergência assim (mas isto é assunto para outro post). Vocês ficam agora com uma palestra do Prof. Douglass North denominada “O estado natural”. Bela palestra de como passar de um sistema econômico fechado e com recursos limitados (o “estado natural”) para um sistema de mercado concorrencial (que dá a explosão no desenvolvimento econômico). E se adiantem: ponham o celular em modo silencioso. O Prof. Kishore Mahbubani, da Universidade Nacional de Cingapura, pedirá isto a você na introdução da palestra do Prof. North. Boa palestra.

Um comentário sobre “Douglass North (Washington Univ., St. Louis)

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