O desenho do pacote remuneratório dos administradores das companhias abertas sempre foi um dos temas mais cabeludos em matéria de governança empresarial (ou governança corporativa, se você preferir). Há uma polêmica intensa sobre o “volume” da remuneração dos administradores, sua distribuição no tempo e a combinação de vários elementos de recompensa (salário, bônus, ações, opções de ações, seguros etc.). No final das contas, a intenção é que a resultante de tudo isto reflita corretamente o desempenho do administrador dos pontos de vista de rentabilidade e perenidade da empresa. No fundo, no fundo, a grande preocupação aqui é, digamos, de engenharia societária: como formatar a remuneração dos administradores de que modo que ela seja um forte (bem forte) incentivo para que estes, como consequência dos melhores esforços empregados na condução diária e estratégica do negócio, criem riqueza para os acionistas, traduzida tanto em lucro (retorno próximo) como em acréscimo de riqueza patrimonial (retorno futuro). E é sobre estas preocupações que a Prof.ª Roberta Romano, de YALE, publica mais um interessante estudo sobre governança corporativa e remuneração dos administradores (aqui, na página da SSRN). Pode-se dizer, sintetizando a idéia do artigo, que ela propõe uma perspectiva mais de longo prazo no momento de desenho dos pacotes remuneratórios dos executivos (com ações de negociação restrita ou opções de compra de ações bem limitadas), principalmente nestes tempos de intervenção estatal nas companhias norte-americanas e tentativa de limitação do tamanho dos pacotes remuneratórios de administradores das companhias que necessitaram de ajuda estatal. Ela entende que os executivos devem ser remunerados apenas com ações e opções de compra de ações de negociações restritas, as quais só poderão ser objeto de trocas econômicas tempos depois do executivo deixar a companhia. “Our proposal would have incentive compensation take the form of only restricted stock and restricted stock option (restricted in the sense that the securities may not be sold or exercised until two to four years after the executive has left the firm)”, escreveu a Prof.ª Romano. O interessante trabalho foi feito em conjunto com o Sanjai Bhagat, professor de finanças da Leeds School of Business da Universidade do Colorado. Abaixo, o resumo do artigo. Em breve, postarei mais um artigo da Prof. Romano Romano; desta feita, sobre a Lei Sarbanes-Oxley.

ABSTRACT: This essay offers a proposal to reform executive compensation that is especially addressed to firms receiving government financial assistance and thought to pose a systemic risk, although we think that all firms should consider its adoption. Executive compensation reform should lead to policies that are simple, transparent, and focused on creating and sustaining long-term shareholder value. With these criteria in mind, we suggest that executive incentive compensation plans should consist only of restricted stock and restricted stock options, restricted in the sense that the shares cannot be sold or the option cannot be exercised for a period of at least two to four years after the executive’s resignation or last day in office. We would permit a minor amount to be paid out to executives currently to address tax, liquidity, and premature turnover concerns that the proposal could induce. We believe that this approach will provide superior incentives for executives to manage corporations in investors’ longer-term interest, and diminish their incentives to make public statements, manage earnings, or accept undue levels of risk, for the sake of short-term price appreciation. By reducing management’s incentive to take on unwarranted risk, it should therefore also decrease the threat that public resources will be wasted when a firm receives government assistance or is deemed by public officials as “too big to fail.”

 

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