Qual é o papel da dúvida na construção da pesquisa jurídica? Os juristas geralmente se apoiam em ideias de outros juristas que lhes precederam para a construção teórica do direito. Até aí, nada de errado. Saber utilizar adequadamente as ideias do passado é importante para a construção do conhecimento no presente. Não se pode negar sumariamente o valor da tradição. O problema é que, no mundo jurídico, as ideais do passado são usadas de modo reverencial. Um dos grandes males da pesquisa em direito é o reverencialismo dogmático. Muito pouco do passado é submetido a escrutínios rigorosos ou posto em xeque. A dúvida é pouco pródiga no terreno jurídico. Jogos de poder são mais relevantes em matéria jurídica que a busca pelo conhecimento científico. Com isso, o método científico é sumariamente descartado ou solenemente ignorado no direito. É como se a busca por certezas fundamentadas remetesse constantemente a circunlóquios doutrinários de antanho. A dúvida no mundo jurídico é o fim de uma fé para início de outra baseada na remissão sacralizada a passagens doutrinárias.

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