Abaixo, o vídeo da exposição de Gabriel Nogueira Dias sobre Hans Kelsen, inquestionavelmente o mais claro dos juristas analíticos até os dias de hoje. Na há dúvidas que Kelsen está para o direito como Marx está para economia: são muito debatidos, pouco lidos e mal compreendidos. Kelsen, influenciado pelo neopositivismo lógico, foi um descritor genial. Ele montou um ferramental metodológico ainda insuperável para descrever com precisão o que são o ordenamento jurídico e a validade das normas. Esse mesmo ferramental afastava juízos de valores da missão metodológica. O pressuposto metodológico de Kelsen é que os juízos de valor estão separados da teoria pura do direito: isso não quer dizer, porém, que esses juízos não existam. Kelsen não os nega; eles são, apenas, indiferentes para a estrutura da teoria pura. A pureza da teoria não implicava inquestionável pureza do direito. Até nisso Kelsen foi genial: ele propôs uma teoria pura do direito, não uma teoria do direito puro. Gabriel Nogueira Dias estudou a obra de Kelsen a fundo; e na integralidade, nos mais diferentes períodos. Em seu livro fundamental, podemos ver os vários “Kelsens”, com fundamentos diversos e mudanças de teses para muitos assuntos da teoria geral do direito. Kelsen continua, pois, genuinamente essencial, mesmo após 80 anos da primeira publicação da sua obra-prima.

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